Um flagrante impressionante e que revela a face mais voraz da fauna amazônica viralizou nas redes sociais no início deste mês. O pescador e produtor de conteúdo Airton Viana registrou o exato momento em que um imenso cardume de candirus-açus devorava a carcaça de um jacaré nas águas do rio Madeira, em Porto Velho (RO). O registro impactante aconteceu durante uma navegação nas proximidades da Ponte Rondon-Roosevelt e já ultrapassa a marca de 68 mil visualizações.
Nas imagens, é possível observar a água borbulhando intensamente enquanto os peixes penetram na carcaça do réptil, consumindo o animal de dentro para fora com uma velocidade assustadora.
O “Urubu dos Rios”: Biólogo Explica Comportamento da Espécie
Embora a cena cause arrepios, o comportamento é perfeitamente natural e fundamental para o ecossistema. Em entrevista, o biólogo Flavio Terassini explicou que o candiru-açu atua como uma espécie de “urubu dos rios”, desempenhando um papel crucial na limpeza e na eliminação de resíduos orgânicos e matéria em decomposição nas águas amazônicas.
O especialista também aproveitou o espaço para desmistificar um dos maiores temores da população: o medo de ataques a banhistas. Ao contrário do que as lendas populares sugerem, o candiru-açu não caça humanos vivos.
“Tem pessoas que tomam banho no Rio Madeira e dificilmente ele ataca. O ser vivo que está no rio dificilmente vai sofrer o ataque dele. Agora, depois que a pessoa ou o animal morre, aí sim eles vão avançar”, esclarece Terassini.
Olfato Imbatível: Mais Rápido que as Piranhas
Para entender a anatomia por trás desse predador, a reportagem conversou com o pesquisador Fernando Dagosta, especialista em peixes de água doce. Ele pontuou que o candiru-açu é um tipo de bagre carniceiro dotado de dentes altamente desenvolvidos, projetados especificamente para rasgar e arrancar pedaços de carne com precisão.
Ao contrário das piranhas, que atacam em águas mais limpas e usam a visão, os candirus-açus habitam rios de águas escuras e barrentas, como o Madeira. Para sobreviver e encontrar banquetes nesse ambiente de baixa visibilidade, eles desenvolveram um olfato extraordinário.
Eles detectam o cheiro de sangue ou carne em decomposição a quilômetros de distância. Dagosta revela que, embora o imaginário popular coloque a piranha como a maior devoradora dos rios, em muitos casos de carcaças submersas na Amazônia, o candiru-açu é o primeiro a chegar e iniciar o processo de desintegração.
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