08/07/2026
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Senado aprova projeto que endurece punições por violência sexual contra crianças na internet

Senado aprova projeto que endurece punições
Foto reprodução

Texto aprovado amplia penas para crimes cometidos com inteligência artificial, deepfakes e perfis falsos.

O Senado Federal aprovou, em votação simbólica, o Projeto de Lei nº 3.066/2025, que amplia a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual praticada no ambiente digital. A proposta atualiza a legislação brasileira diante do uso crescente de ferramentas tecnológicas por criminosos, como inteligência artificial, deepfakes e perfis falsos utilizados para enganar vítimas.

O texto é de autoria do deputado Osmar Terra (MDB-RS) e agora será encaminhado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quais crimes terão penas mais duras com a nova lei

O projeto prevê agravamento de pena para o aliciamento de menores de 14 anos quando o crime for cometido com uso de recursos tecnológicos capazes de ampliar o alcance ou ocultar a identidade do autor.

Entre as situações previstas no texto estão:

  • uso de inteligência artificial para manipular imagens, vídeos ou conversas;
  • utilização de deepfakes para enganar ou constranger vítimas;
  • criação de perfis falsos em redes sociais e aplicativos;
  • ocultação de endereço de IP e outros identificadores digitais;
  • emprego de ferramentas para dificultar investigações policiais.

A proposta também inclui crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes no rol dos crimes hediondos, o que torna a legislação mais rígida para autores dessas práticas.

Por que o termo “pornografia infantil” será substituído

Um dos principais pontos do projeto é a alteração da expressão “pornografia infantil” na legislação brasileira. Com a mudança, o texto passa a utilizar a nomenclatura “violência sexual contra criança ou adolescente”, reconhecendo que imagens, vídeos ou materiais envolvendo menores não representam conteúdo adulto, mas sim registros de abuso, exploração e violência.

O relator da proposta no Senado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a atualização melhora a precisão jurídica e ética da legislação.

Segundo o parecer, o termo anterior poderia remeter a conteúdos destinados a adultos, enquanto os casos envolvendo crianças e adolescentes devem ser tratados como violação grave de direitos.

O projeto cria novas regras para prisão preventiva

Sim. Além de endurecer punições, o PL 3.066/2025 cria uma nova hipótese de prisão preventiva em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes praticada por meios digitais. A medida busca impedir que suspeitos continuem usando redes sociais, aplicativos, plataformas de mensagens e recursos tecnológicos para abordar, aliciar ou explorar vítimas enquanto respondem a investigações.

Como a mudança pode impactar famílias no Amazonas

O avanço da legislação reforça a necessidade de prevenção dentro de casa, nas escolas e nos espaços digitais frequentados por crianças e adolescentes em Manaus e no interior do Amazonas. Pais e responsáveis devem acompanhar o uso de celulares, jogos online, redes sociais e aplicativos de mensagens, principalmente quando houver contato com perfis desconhecidos, pedidos de imagens, conversas secretas ou promessas de presentes e vantagens.

Em casos de suspeita de violência sexual digital, a orientação é preservar provas, como prints, links, perfis e mensagens, e procurar imediatamente a polícia, o Conselho Tutelar ou o Ministério Público.

O que muda na prática após a sanção presidencial

Caso seja sancionado sem vetos, o projeto passará a integrar a legislação brasileira e dará mais instrumentos para investigação, responsabilização criminal e proteção das vítimas. A proposta também acompanha o debate internacional sobre crimes cibernéticos e busca adequar o Brasil a parâmetros previstos na Convenção de Budapeste sobre Crime Cibernético.


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