28/03/2026
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Contrato de R$ 129 milhões entre Banco Master e escritório da esposa de ministro do STF gera questionamentos

Contrato de R$ 129 milhões entre Banco Master
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, passou a ser alvo de questionamentos após revelações sobre os valores pagos pelos serviços prestados.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, os honorários pagos ao escritório chegaram a ser até 645 vezes superiores aos cobrados por outros profissionais que afirmam ter realizado trabalhos semelhantes em anos anteriores. A discrepância chamou atenção no meio jurídico e ampliou o debate sobre a natureza e o custo do contrato.

Pagamentos milionários e contrato interrompido

O escritório Barci de Moraes Advogados manteve contrato com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Nesse período, os pagamentos mensais chegaram a R$ 3,6 milhões, totalizando R$ 75,6 milhões destinados à advogada e aos demais sócios — entre eles, familiares do ministro.

O valor total previsto para três anos era de R$ 129 milhões, mas o contrato foi encerrado após o Banco Central determinar a liquidação do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias.

Especialistas apontam discrepância com padrões de mercado

Profissionais de compliance afirmam que revisões de políticas internas em instituições financeiras seguem ciclos regulares, geralmente a cada três anos. Segundo especialistas, não há mudanças frequentes que justifiquem valores tão elevados, exceto em casos de reestruturações complexas ou projetos tecnológicos de grande porte.

A avaliação reforça dúvidas sobre a proporcionalidade dos honorários pagos pelo banco.

Documentos levantam dúvidas sobre autoria dos serviços

Outro ponto que gerou questionamentos envolve a autoria de documentos atribuídos ao escritório contratado. Registros internos indicam que parte dos materiais teria sido produzida por funcionários do próprio banco ou por outros escritórios.

Um ex-funcionário relatou ter participado da elaboração de uma política interna em março de 2024 — período em que o escritório de Viviane Barci já prestava serviços — sem ter tido contato com a equipe da advogada.

Rastros digitais mostram que ao menos cinco documentos associados ao contrato foram criados entre novembro de 2024 e agosto de 2025 por profissionais que não pertenciam ao escritório.

Política de prevenção a crimes financeiros também teria outra autoria

Entre os documentos analisados está a Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLDFT), considerada uma das mais sensíveis no setor bancário. Embora constasse como parte das entregas do escritório, o arquivo aparece como tendo sido criado por outra profissional ligada ao banco em julho de 2025.

Debate público e cenário em aberto

A combinação de valores elevados, divergências na autoria de documentos e o contexto das investigações envolvendo o Banco Master ampliou o debate público sobre o contrato.

Até o momento, não há conclusão oficial sobre eventuais irregularidades. No entanto, o caso segue sob análise de especialistas e autoridades, mantendo-se como um dos temas mais discutidos no meio jurídico e político.

Com informações do Estadão Conteúdo


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