Tecnologia de IA identifica células raras em casos de azoospermia e abre caminho para novos tratamentos
Uma tecnologia que combina inteligência artificial e conceitos da astronomia está abrindo uma nova frente no tratamento da infertilidade masculina. O método foi desenvolvido para identificar espermatozoides extremamente raros em amostras consideradas inviáveis — um avanço relevante para homens diagnosticados com azoospermia, condição em que praticamente não há células reprodutivas detectáveis no sêmen.
Batizado de Rastreamento e Recuperação de Espermatozoides (STAR, da sigla em inglês), o sistema utiliza um princípio semelhante ao empregado por astrônomos na busca por estrelas e planetas: analisar grandes volumes de imagens em busca de sinais mínimos.
Adaptado para a medicina, o método captura milhões de imagens em alta resolução em pouco tempo e aplica algoritmos de IA para localizar espermatozoides que passariam despercebidos em análises convencionais. Em testes, a tecnologia conseguiu encontrar dezenas dessas células em uma amostra que havia sido examinada por especialistas durante dias sem sucesso.

Após a identificação, os espermatozoides são isolados com auxílio de um sistema robótico, o que reduz o risco de danos — um problema comum em técnicas tradicionais, como a centrifugação. Essas células podem então ser utilizadas imediatamente em procedimentos de fertilização in vitro ou preservadas para tentativas futuras.
“Uma amostra de sêmen pode parecer totalmente normal, mas quando você olha ao microscópio, descobre apenas um mar de detritos celulares, sem nenhum espermatozoide visível”, explicou Zev Williams, diretor do Centro de Fertilidade da Universidade de Columbia, em um comunicado à imprensa.
Técnica ajudou casal a engravidar
O potencial da técnica já começou a se confirmar na prática. Um casal que enfrentava dificuldades para engravidar há quase duas décadas conseguiu avançar no tratamento após a identificação de apenas alguns espermatozóides viáveis. As células foram utilizadas com sucesso na fertilização, resultando em uma gestação — considerada um marco inicial para o uso da tecnologia.
“Normalmente, as opções eram usar esperma de doador ou se submeter a uma cirurgia dolorosa em que uma parte dos testículos é removida para que os médicos possam procurar espermatozóides dentro deles”, prosseguiu Zev ao jornal Today.
Apesar dos resultados promissores, especialistas recomendam cautela. Como se trata de um método recente, ainda são necessários mais estudos para avaliar sua eficácia, segurança e aplicabilidade em larga escala. Atualmente, o acesso à técnica é limitado e concentrado em centros específicos de pesquisa e reprodução assistida.
O desenvolvimento do STAR ocorre em um contexto de preocupação global com a queda na fertilidade masculina. Estudos indicam uma redução significativa na contagem de espermatozoides nas últimas décadas, possivelmente associada a fatores como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade e exposição a substâncias ambientais.
Diante desse cenário, a combinação entre tecnologia e medicina reprodutiva surge como uma alternativa promissora para ampliar as possibilidades de tratamento.
Embora ainda esteja em fase inicial, a nova abordagem pode representar uma mudança importante para pacientes que, até então, tinham poucas ou nenhuma opção para alcançar a paternidade biológica.
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