O Irã enfrenta um dos maiores bloqueios de internet de sua história recente. Desde sábado (28), cerca de 90 milhões de pessoas estão praticamente sem acesso à rede, em meio à intensificação do conflito após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
A organização internacional NetBlocks confirmou que a conectividade caiu para menos de 1% do normal, deixando a população iraniana isolada digitalmente e sem meios de comunicação confiáveis. O bloqueio já dura mais de 48 horas e não há previsão de retorno.
Por que o apagão aconteceu
O corte de internet ocorre logo após o bombardeio que matou Khamenei, fato que desencadeou uma série de medidas de controle interno por parte do governo iraniano. O regime já utilizou bloqueios semelhantes em momentos de crise — como em 2019, 2022 e janeiro de 2026 — para limitar protestos e impedir a circulação de informações.
Segundo o NetBlocks, o objetivo é restringir a divulgação de incidentes, dificultar a mobilização popular e controlar narrativas em um momento de instabilidade extrema.
Escalada militar e número de vítimas
A interrupção digital coincide com uma onda de ataques e contra-ataques que ampliou a tensão no Oriente Médio:
- No Irã, a mídia estatal relata ao menos 200 mortos e mais de 700 feridos após ofensivas americanas e israelenses.
- Em Israel, bombardeios iranianos deixaram nove mortos e cerca de 20 feridos.
- Nos Estados Unidos, três militares morreram após um ataque iraniano ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.
O presidente Donald Trump afirmou que “novas mortes são possíveis” e prometeu retaliar.
Ataques atingem vários países da região
As ofensivas iranianas já impactaram ao menos nove países, incluindo:
- Bahrein
- Catar
- Kuwait
- Emirados Árabes Unidos
- Arábia Saudita
- Iraque
- Jordânia
- Omã
Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas morreram; no Kuwait, uma vítima foi confirmada; e no Bahrein, destroços de míssil interceptado mataram um trabalhador.
Consequências do apagão digital
O bloqueio de internet aprofunda o impacto humanitário e político do conflito:
- impede que cidadãos comuniquem-se com familiares dentro e fora do país;
- dificulta o acesso a informações confiáveis sobre ataques e rotas de fuga;
- limita a atuação de jornalistas e organizações de direitos humanos;
- favorece o controle estatal sobre a narrativa dos acontecimentos;
- aumenta o risco de violações de direitos humanos sem testemunho externo.
Especialistas alertam que a duração do apagão é imprevisível e pode se estender por semanas, como já ocorreu em bloqueios anteriores.
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