01/03/2026
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Ataques cibernéticos atingem sites e aplicativos do Irã durante ofensiva militar de EUA e Israel

(Imagem: Mehaniq/Shutterstock)
(Imagem: Mehaniq/Shutterstock)

Uma série de ataques cibernéticos foi registrada na madrugada de sábado contra sites, serviços digitais e aplicativos amplamente utilizados no Irã, coincidindo com a ofensiva militar coordenada de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. Especialistas em segurança digital e empresas de monitoramento confirmaram que a ação teve múltiplas frentes e provocou instabilidade significativa na conectividade do país.

Invasões a sites e ao aplicativo religioso BadeSaba

Entre os incidentes mais relevantes está a invasão de sites de notícias iranianos, que passaram a exibir mensagens não autorizadas com conteúdo político. O aplicativo BadeSaba, um calendário religioso com mais de 5 milhões de downloads, também foi violado. Usuários relataram que a plataforma exibiu frases como “É hora do acerto de contas”, acompanhadas de apelos para que membros das Forças Armadas abandonassem suas posições.

A Reuters tentou contato com a direção do aplicativo, mas não obteve resposta. O Comando Cibernético dos Estados Unidos também não comentou o caso.

Quedas bruscas na conectividade do país

Além das invasões, o tráfego de internet no Irã sofreu quedas acentuadas. Dados de Doug Madory, diretor de análise da Kentik, indicam que a conectividade caiu a níveis mínimos em dois momentos distintos da manhã, sugerindo impacto direto das operações cibernéticas.

Objetivos estratégicos e possíveis alvos militares

Segundo Hamid Kashfi, pesquisador de segurança e fundador da DarkCell, o ataque ao BadeSaba teve caráter estratégico, já que o aplicativo é amplamente utilizado por apoiadores do governo iraniano, especialmente grupos conservadores e religiosos.

Veículos como o Jerusalem Post relataram que serviços governamentais e alvos militares também teriam sido atingidos, com o objetivo de dificultar uma resposta coordenada de Teerã — embora essas alegações ainda não tenham sido verificadas de forma independente.

Risco de escalada no front digital

Especialistas alertam que o cenário pode se agravar. Rafe Pilling, diretor de inteligência de ameaças da Sophos, afirma que, à medida que o Irã define seus próximos passos, cresce a probabilidade de ações conduzidas por grupos aliados ou hacktivistas, incluindo ataques contra alvos militares, comerciais ou civis ligados a Israel e aos EUA.

As possíveis retaliações incluem:

  • reutilização de vazamentos antigos;
  • tentativas de invasão a sistemas industriais expostos;
  • ataques diretos a infraestruturas críticas;
  • operações de ransomware e DDoS conduzidas por grupos pró-Irã.

A empresa Anomali também identificou o uso de malwares do tipo “wiper”, projetados para apagar dados de sistemas israelenses antes ou durante ofensivas maiores.

Um novo capítulo da guerra híbrida

A combinação de ataques militares e cibernéticos reforça a percepção de que o conflito atual se desenrola em múltiplas frentes. Para analistas, o front digital tende a ganhar protagonismo, ampliando o impacto geopolítico e aumentando o risco de danos colaterais em infraestruturas civis e governamentais.


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