O futebol mundial está prestes a passar por uma de suas transformações mais drásticas na tentativa de erradicar o antijogo e a famosa “cera” que tanto irrita torcedores e detentores de direitos de transmissão. Em sua 140ª Assembleia Geral Anual, realizada neste sábado em Hensol, no País de Gales, a International Football Association Board aprovou um pacote de medidas revolucionárias que entrará em vigor em 1º de julho de 2026.
A mudança mais comentada e que promete gerar debates acalorados nos estádios é a introdução de uma contagem regressiva visual de cinco segundos para a cobrança de laterais e tiros de meta. Caso o árbitro entenda que o atleta está retardando o reinício da partida deliberadamente, ele iniciará o gesto de contagem e, se a bola não for colocada em jogo a tempo, a punição será a reversão da posse. No caso específico do tiro de meta, o atraso resultará em um escanteio para a equipe adversária, transformando uma jogada de defesa em uma oportunidade clara de gol para o rival.
Essa nova diretriz amplia um conceito que já vinha sendo testado com goleiros e agora atinge todos os jogadores de linha. A ideia é que o tempo de bola rolando aumente significativamente, punindo de forma técnica — e não apenas com cartões amarelos — quem tenta manipular o relógio. Além da pressão sobre os batedores, a IFAB também endureceu o controle sobre as substituições e os atendimentos médicos.
A partir da Copa do Mundo de 2026, um jogador substituído terá o limite rigoroso de dez segundos para cruzar a linha lateral ou de fundo após o sinal do árbitro. O descumprimento desse prazo terá consequências imediatas para a estratégia do treinador, já que o substituto será impedido de entrar no gramado até a próxima paralisação e após pelo menos um minuto de jogo transcorrido, deixando a equipe temporariamente com um atleta a menos.
O combate às paralisações táticas também ganhou um novo aliado na regra de atendimento médico. Agora, qualquer jogador que for atendido dentro das quatro linhas ou cuja lesão force a interrupção do confronto deverá obrigatoriamente permanecer fora do campo por um minuto após a bola voltar a rolar.
Essa medida visa desencorajar o uso de simulações para esfriar o ritmo do adversário em momentos de pressão. Paralelamente, o Árbitro Assistente de Vídeo terá seu campo de atuação ampliado para corrigir injustiças em lances de bola parada. O VAR agora poderá intervir em casos de escanteios concedidos erroneamente, situações de identidade equivocada na aplicação de cartões e até em expulsões causadas por um segundo cartão amarelo que tenha sido aplicado de maneira claramente equivocada, algo que o protocolo anterior não permitia.
O pacote de 2026 ainda traz modernizações tecnológicas e de transparência, como a autorização para que os árbitros utilizem câmeras acopladas ao corpo e o uso de acessórios de proteção desde que devidamente cobertos. No campo da ética esportiva, a entidade iniciou consultas para punir jogadores que cobrem a boca para insultar oponentes ou que abandonam o campo em sinal de protesto contra as decisões da arbitragem.
Com todas essas alterações, a IFAB envia um recado claro ao mundo da bola: o tempo de tolerância com o atraso proposital acabou. O futebol da próxima Copa será definido pela agilidade, e as equipes que não se adaptarem ao novo cronômetro de cinco segundos poderão ver um simples tiro de meta se transformar no gol da vitória do adversário.
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