Ação com grande aparato no Rio Madeira termina com dragas incendiadas, confronto com ribeirinhos e prejuízo material e psicológico para famílias do sul do Amazonas
Por: [Manuel Menezes]
Uma operação de grande porte da Polícia Federal mobilizou nesta sexta-feira (27) um verdadeiro aparato de guerra no município de Humaitá, no sul do Amazonas.
Com uso de navio de grande porte, helicóptero, aeronaves de monitoramento e apoio de forças federais, a ação teve como alvo estruturas de garimpo no Rio Madeira e seus afluentes, especialmente no rio Beem.
O resultado: dragas destruídas, balsas incendiadas, gás lacrimogêneo lançado contra a população e ao menos um morador atingido por bala de borracha.
Operação contra o crime ou contra famílias?
Segundo a Polícia Federal, a operação visava combater o garimpo ilegal responsável por danos ambientais, incluindo contaminação por mercúrio e degradação da biodiversidade.
A legislação ambiental permite a inutilização de equipamentos quando não há possibilidade de remoção.
Mas o que se viu nas margens do Madeira foi um cenário de guerra.
Em vídeos registrados por moradores, é possível observar famílias tentando apagar o fogo de dragas ainda em chamas após a saída das equipes federais. Em outros registros, embarcações civis se aproximam enquanto agentes ordenam dispersão com uso de munição não letal.
A pergunta que ecoa na região é direta:
O Estado foi proporcional na resposta?
Confronto no bairro Olaria
Um dos pontos mais tensos ocorreu nas proximidades do bairro Olaria. Moradores acompanharam a movimentação das forças federais e houve resistência em alguns trechos do rio.
Para dispersar a população, os agentes utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha. Um homem foi atingido, segundo relatos preliminares.
As circunstâncias do confronto ainda não foram oficialmente detalhadas.
O impacto humano
Embora o foco oficial seja o combate ao garimpo ilegal, moradores afirmam que parte das estruturas destruídas pertence a famílias que dependem da atividade para subsistência.
A operação já terminou.
Mas deixou para trás:
- prejuízo material elevado
- equipamentos queimados
- tensão social
- trauma psicológico em comunidades ribeirinhas
Em Humaitá, muitos veem o episódio não apenas como repressão ambiental, mas como intervenção brusca sobre o extrativismo familiar.
O dilema da Amazônia
O combate ao garimpo ilegal é política pública federal e responde a compromissos ambientais.
Mas no sul do Amazonas, onde a economia local é frágil e a presença do Estado historicamente limitada, operações dessa magnitude ampliam um conflito antigo:
Preservação ambiental versus sobrevivência econômica.
O uso de navio de grande porte e helicóptero contra estruturas artesanais alimenta a narrativa de desproporcionalidade.
A operação cumpriu seu objetivo imediato: destruir estruturas consideradas ilegais.
Mas a longo prazo, o que resta é um cenário de polarização.
Sem alternativa econômica concreta, comunidades afetadas tendem a ver o Estado não como parceiro, mas como força repressiva.
E enquanto Brasília discute política ambiental, Humaitá convive com as consequências diretas.
VEJA O VÍDEO:
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