Sintomas podem levar até três semanas para se manifestar após a infecção
Casos envolvendo o Trichophyton mentagrophytes tipo VII (TMVII) — apelidado informalmente de “percevejo sexual” — vêm crescendo na Europa, Estados Unidos, Canadá e partes do Oriente Médio. A expansão desse dermatófito altamente transmissível levou autoridades sanitárias a classificá-lo como uma potencial ameaça à saúde pública, especialmente diante do aumento global da resistência a antifúngicos.
Embora não seja fatal, o TMVII pode causar infecções persistentes, de difícil tratamento e capazes de deixar cicatrizes ou danos permanentes na pele.
O que é o TMVII e por que ele preocupa
O TMVII é um tipo de dermatófito — fungo microscópico que se alimenta de pele morta, cabelos e unhas. Ele provoca micoses que podem surgir em várias partes do corpo, incluindo:
- virilha (conhecida popularmente como “coceira na virilha”)
- rosto
- braços e pernas
- pés
A transmissão ocorre por contato direto de pele com pele, o que explica a associação com relações sexuais, embora não seja uma infecção sexualmente transmissível no sentido clássico.
A infecção costuma começar como uma mancha vermelha e pruriginosa, que se expande e pode se tornar escamosa, inflamada e dolorosa. Os sintomas podem levar até três semanas para aparecer.
Avanço geográfico: da Ásia para o Ocidente
Historicamente, casos de TMVII eram associados a viagens ao Sudeste Asiático. Porém, essa hipótese perdeu força após registros em pessoas que não haviam estado na região, incluindo um paciente nos EUA que contraiu a infecção após viajar para a Europa.
Linha do tempo da disseminação
- 2021 – primeiros focos identificados na França
- 2022–2024 – casos relatados na Alemanha, Espanha e outros países europeus
- 2025 – surto no estado de Minnesota, nos EUA, com 13 infecções confirmadas
- 2025–2026 – registros no Canadá e no Oriente Médio
A circulação internacional e o contato próximo entre pessoas têm facilitado a propagação.
Diagnóstico e desafios no tratamento
O diagnóstico é feito por meio da coleta de amostra de pele da área afetada, enviada para análise laboratorial. O grande desafio é que o TMVII tem apresentado resistência crescente a antifúngicos, o que dificulta o tratamento e prolonga os sintomas.
Esse cenário se soma a uma preocupação global: a resistência antifúngica está aumentando em várias espécies, incluindo a Candida, responsável por infecções comuns como candidíase oral e vaginal.
Em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a resistência a antifúngicos tem “implicações importantes” para a saúde global, especialmente em ambientes hospitalares e populações vulneráveis.
Por que a resistência antifúngica está crescendo
Especialistas apontam fatores como:
- uso inadequado ou interrompido de medicamentos antifúngicos
- automedicação
- circulação internacional de cepas resistentes
- mutações naturais dos fungos
- uso de antifúngicos na agricultura
O TMVII se destaca por sua capacidade de adaptação e pela facilidade de transmissão.
Impacto em saúde pública
Embora não seja fatal, o TMVII preocupa porque:
- pode causar infecções extensas e persistentes
- é altamente transmissível
- pode deixar cicatrizes permanentes
- exige tratamentos longos e, às vezes, múltiplos medicamentos
- pode se espalhar rapidamente em comunidades urbanas densas
Autoridades de saúde têm reforçado a importância de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e monitoramento de resistência.
O que especialistas defendem agora
Pesquisadores e órgãos de saúde recomendam:
- ampliar a testagem em casos suspeitos
- monitorar mutações e padrões de resistência
- fortalecer campanhas de conscientização
- investir em novos antifúngicos
- melhorar protocolos de vigilância internacional
A OMS também destaca a necessidade de cooperação global, já que fungos resistentes não respeitam fronteiras.
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