16/02/2026
Pesquisar

📲 Entre no CANAL DO MANAUSTIME NO WHATSAPP e receba notícias diretamente no seu dispositivo.

Wall Street South: Como a Flórida Superou Manhattan e Virou o Novo Centro do Capital Global

Como a Flórida Superou Manhattan
Foto reprodução

Enquanto as manchetes destacam as mansões de nove dígitos adquiridas por Mark Zuckerberg e Jeff Bezos no chamado “Bunker dos Bilionários”, uma transformação silenciosa — e igualmente bilionária — ocorre a poucos quilômetros dali, nos distritos financeiros da Flórida. Pela primeira vez na história, o preço médio do aluguel de escritórios Classe A no sul do estado ultrapassou o de Midtown Manhattan.

O fenômeno, apelidado por analistas de “Wall Street South”, reflete uma exigência simples dos CEOs que migraram para o estado: querem seus escritórios a, no máximo, 20 minutos de suas novas residências em Indian Creek, Palm Beach ou Fisher Island.

Dados preliminares da consultoria Knight Frank para o primeiro trimestre de 2026 mostram que o valor do pé quadrado em edifícios corporativos premium em West Palm Beach atingiu US$ 180, superando a média de US$ 165 da Park Avenue, em Nova York.

O Efeito Cascata da Riqueza

“Não é apenas sobre impostos, é sobre ecossistema”, afirma Elena Vasquez, diretora de investimentos comerciais em Miami. “Quando Ken Griffin (Citadel) e Zuckerberg se mudam, eles trazem seus fundos, equipes jurídicas e family offices. O problema é que a Flórida não tem o estoque corporativo de Nova York. A escassez gerou uma guerra de lances.”

A demanda reprimida criou listas de espera de até 18 meses para edifícios ainda na planta em Brickell. Desenvolvedores correm para converter hotéis antigos e até estacionamentos em torres de vidro espelhado capazes de abrigar o novo capital global.

A “Faria Lima” em Miami

O movimento não é exclusivo dos norte-americanos. A concentração de riqueza e decisores globais na Flórida atraiu uma nova onda de Multi-Family Offices brasileiros.

Gestores que antes dividiam suas operações internacionais entre Nova York e Londres agora priorizam Miami. A lógica é direta: o cliente brasileiro de alta renda também comprou apartamento na Flórida.

“Estar em Miami em 2026 é como estar em Genebra nos anos 90”, diz o gestor de um fundo brasileiro com R$ 5 bilhões sob custódia, recém-instalado em Coconut Grove. “Meus clientes almoçam aqui, jogam golfe aqui e fecham negócios aqui. Se eu ficar em São Paulo ou Nova York, perco o deal.”

O Custo do Paraíso

O boom, porém, traz efeitos colaterais severos para a economia local. Pequenas empresas e startups de tecnologia que floresceram em Miami durante a pandemia estão sendo expulsas pelo aumento vertiginoso dos aluguéis comerciais.

“O que vemos é uma gentrificação corporativa”, alerta o economista Robert Millman. “O escritório de advocacia local, a agência de marketing boutique — eles não conseguem competir com o aluguel que um fundo de hedge de Nova York ou uma holding de tecnologia do Vale do Silício pode pagar.”

Com a Califórnia mantendo sua política de taxação agressiva e a Flórida consolidando seu status de paraíso fiscal e climático, a tendência para o restante de 2026 é clara: a placa de “Aluga-se” em Miami está se tornando um dos ativos mais raros e disputados do mundo corporativo.


Descubra mais sobre Manaustime

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Wall Street South: Como a Flórida Superou Manhattan e Virou o Novo Centro do Capital Global