Departamento de Justiça cobra documentos sobre critérios raciais e amplia disputa judicial com a universidade
O governo de Donald Trump ingressou com uma nova ação judicial contra a Universidade Harvard nesta sexta‑feira (13), acusando a instituição de não cooperar com uma investigação federal. O processo solicita que a universidade entregue documentos relacionados ao seu sistema de seleção de estudantes.
A queixa foi apresentada por advogados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos em um tribunal federal de Boston. Segundo o governo, o acesso aos documentos é necessário para verificar se Harvard está cumprindo a decisão da Suprema Corte de 2023, que considerou inconstitucionais políticas de admissão baseadas em critérios raciais.
Governo Afirma Não Estar Acusando Harvard de Discriminação
Na ação, o Departamento de Justiça declarou que o objetivo é apenas obrigar Harvard a fornecer informações sobre qualquer uso de raça no processo seletivo. O governo ressaltou que não está acusando a universidade de discriminação, nem buscando indenizações financeiras ou a suspensão de verbas federais.
Até o momento, Harvard não se pronunciou sobre o processo, segundo informou a agência Reuters.
Disputa Envolve Recursos Bilionários
No início do mês, Donald Trump afirmou que seu governo buscava US$ 1 bilhão da universidade para encerrar investigações sobre suas políticas internas. A declaração ocorreu após uma reportagem sugerir que o presidente teria recuado dessa exigência.
A nova ação faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo contra universidades de elite. Harvard, considerada a instituição de ensino superior mais antiga dos Estados Unidos e uma das mais ricas, tornou‑se um dos principais alvos dessa disputa.
Além disso, o governo Trump congelou verbas destinadas a instituições que, segundo ele, adotam práticas relacionadas a protestos pró‑palestinos, iniciativas ambientais, políticas voltadas a pessoas transgênero e programas de diversidade, equidade e inclusão.
Cortes de Bolsas e Conflitos Judiciais
O governo também suspendeu centenas de bolsas de pesquisa concedidas a Harvard, alegando que a universidade não teria tomado medidas suficientes para combater o assédio a estudantes judeus no campus. Em resposta, Harvard abriu um processo contra o governo.
No ano anterior, a instituição realizou demissões e reduziu gastos devido à pressão federal. Na época, Harvard estimou que o impacto financeiro poderia chegar a US$ 1 bilhão por ano.
Posteriormente, um juiz determinou que o governo encerrou de forma ilegal mais de US$ 2 bilhões em bolsas de pesquisa destinadas à universidade.
Enquanto isso, a Casa Branca firmou acordos com as universidades Columbia e Brown, que aceitaram cumprir exigências impostas pelo governo federal.
Assim, o confronto entre o governo Trump e universidades de elite continua nos tribunais, ampliando o debate nacional sobre políticas de admissão, financiamento público e o papel das instituições de ensino superior nos Estados Unidos.
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