Em um episódio digno de um roteiro cinematográfico, a Polícia Federal (PF) recuperou R$ 429 mil em espécie após um dos ocupantes de um apartamento de alto padrão arremessar uma mala cheia de dinheiro pela janela do 30º andar. A cena ocorreu na manhã desta quarta-feira (11/2), durante a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga irregularidades na gestão de recursos da Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
De acordo com a PF, equipes cumpriam mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados nas cidades de Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina. Ao chegarem a um dos apartamentos-alvo, localizado em um edifício de luxo, os agentes foram surpreendidos pela tentativa desesperada de um dos moradores de se livrar de possíveis provas. Assim que percebeu a presença policial, o indivíduo lançou pela janela — algumas fontes afirmam que a ação ocorreu a partir do banheiro — uma mala repleta de cédulas.
O impacto da queda fez com que parte do dinheiro se espalhasse pela área externa do prédio, criando uma verdadeira “chuva de notas” que chamou a atenção de moradores e pessoas que passavam pelo local. A PF agiu rapidamente, isolou a área e recolheu todo o montante, que posteriormente foi contabilizado e confirmado em R$ 429 mil.
Além do dinheiro recuperado, a operação resultou na apreensão de dois veículos de luxo — uma Porsche e uma BMW, segundo reportagens — além de dois smartphones e diversos documentos que podem contribuir para o avanço das investigações.
A Operação Barco de Papel apura crimes contra o sistema financeiro envolvendo a aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em 2024. Esses investimentos, realizados entre novembro de 2023 e julho de 2024, são considerados incompatíveis com o perfil conservador esperado de um fundo previdenciário, especialmente por não contarem com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A PF busca identificar quem autorizou as operações, se houve pagamento de vantagens indevidas e qual foi o destino dos recursos após o colapso do banco.
O principal alvo da investigação é Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da Rioprevidência, preso em 3 de fevereiro de 2026 durante a segunda fase da operação, em Itatiaia (RJ). Segundo a PF, há indícios de que ele e pessoas próximas tentaram ocultar patrimônio, apagar rastros digitais e remover documentos após as primeiras etapas da investigação — a fase inicial ocorreu em 23 de janeiro de 2026. A terceira fase, deflagrada nesta quarta-feira, tem como objetivo localizar bens e valores supostamente retirados de imóveis ligados ao esquema, além de aprofundar apurações sobre possíveis tentativas de obstrução de justiça.
O episódio da mala arremessada do alto reforça as suspeitas de destruição ou ocultação de provas, adicionando um elemento dramático a uma investigação que já envolve cifras milionárias e suspeitas de má gestão de recursos públicos. A PF não divulgou a identidade da pessoa que lançou o dinheiro pela janela, mas confirmou que o apartamento está vinculado aos investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
As investigações continuam, e novas fases da operação podem ser desencadeadas conforme surgirem novos elementos. O caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de fundos previdenciários e a necessidade de maior rigor na fiscalização de investimentos de alto risco realizados com recursos públicos.
