26/01/2026
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Ex-ministra do Supremo chileno é presa acusada de corrupção

Ex-ministra do Supremo chileno é presa
Foto Divulgação

Envolvimento de Ángela Vivanco veio à tona com vazamento de mensagens com advogado que já foi aliado de ex-presidente

 A ex-ministra da Suprema Corte do Chile, Ángela Vivanco, foi presa neste domingo (25) em Santiago, acusada de suborno, lavagem de dinheiro e tráfico de influência por seu suposto envolvimento no escândalo de corrupção “Boneca Bielorrussa” e no chamado “Caso dos Áudios”.

Análises de suas conversas com o advogado Luis Hermosilla, antigo aliado do ex-presidente chileno Sebástian Piñera, apontam o papel da ex-magistrada na rede criminosa. Na sequência da prisão, ela foi transferida para o Centro de Justiça de Santiago, onde aguarda acusação formal.

O caso veio à tona em setembro de 2024, quando Vivanco se tornou a segunda ministra a ser destituída de seu cargo na Corte nos últimos 25 anos. A trama ainda acusou seu marido, Gonzalo Migueles, e os advogados Mario Vargas e Eduardo Lagos.

Entenda o caso

Quanto à “Boneca Bielorrussa”, Vivanco teria recebido subornos da Belaz Movitec SpA, formada pela chilena Movitec e pela bielorrussa Belaz para decidir em favor da empresa diante de um conflito judicial com a estatal Codelco.

As investigações apontam que, enquanto magistrada, cerca de US$ 57 milhões (ou pouco mais de R$ 300 milhões) teriam lhe sido pagos através de seu marido e sócio. O grupo era representado por Vargas e Lagos.

Presidindo de forma extraordinária a Suprema Corte, ela reverteu uma decisão favorável à estatal e determinou que US$ 25 milhões fossem pagos à Belaz Movitec SpA.

Já o “Caso dos Áudios” diz respeito ao esquema de tráfico de influência centrado na figura de Hermosilla, que envolveu desde empresários até políticos e membros do Judiciário. As gravações investigadas indicam articulações de Hermosilla para a indicação de Vivanco à Suprema Corte.

No período em que ocupou a cadeira, de 2018 até 2024, ela teria atuado em benefício de interesses do advogado em pelo menos dois processos. Vivanco, no entanto, alega total inocência e critica os vazamentos da investigação.

Mas sua posição se complica ainda mais com as declarações de Gabriel Silber, também envolvido no caso. Ao contrário de seus companheiros, porém, o ex-deputado decidiu colaborar com o Ministério Público. Ele narra um episódio em que a ex-ministra teria se mostrado preocupada com a possibilidade das mensagens virem a público, e defendido a destruição dos chats.

O que diz a acusada

A ex-magistrada afirma: “Os casos em que julguei, julguei com plena convicção do que estava julgando. Especialmente neste caso Belaz Movitec, que passou pelo tribunal diversas vezes, e em todas as instâncias, as decisões foram por ampla maioria ou unanimidade. Nenhum dos casos foi decidido diretamente por mim, e em todos eles, os demais juízes concordaram por maioria ou mesmo por unanimidade.”

Ela alega que, nos seis anos de atuação na Corte, suas ações foram “completamente independentes de advogados que eu conhecia, amigos advogados, advogados que encontrei ao longo do caminho, e também da minha família, porque nenhum deles participou ou jamais teve qualquer influência em qualquer caso de que eu tivesse conhecimento“.


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