22/01/2026
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Ministros do STF sugerem envio do caso Banco Master para a 1ª instância

Ministros do STF
Foto Divulgação

 O inquérito que apura as maiores fraudes financeiras já reveladas no sistema bancário brasileiro — estimadas em bilhões de reais — continua sob a relatoria do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF), apesar de crescentes sinais de desconforto dentro da própria Corte e de questionamentos públicos sobre imparcialidade.

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, mira o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, acusado de gestão fraudulenta, organização criminosa e uso de fundos de investimento para inflar artificialmente resultados e ocultar prejuízos. O banco foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, gerando um dos maiores acionamentos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) da história, afetando centenas de milhares de investidores.

O que começou como uma investigação na Justiça Federal de Brasília e São Paulo migrou para o STF após menção a um parlamentar com foro privilegiado — o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) —, que até o momento não tem indícios de participação direta nas fraudes, segundo fontes da PF. A segunda fase da operação, em 14 de janeiro, resultou em bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e aprofundou o foco em uma teia complexa de fundos e gestoras, incluindo a Reag Investimentos, também liquidada recentemente.

No centro da polêmica está a condução do ministro Toffoli. Integrantes do STF, segundo reportagens da Folha de S.Paulo e da Revista Oeste, defendem o envio do caso à primeira instância como uma “saída honrosa” para o relator, removendo a Corte do epicentro de uma crise de credibilidade. Toffoli, porém, resiste firmemente: interlocutores afirmam que ele não vê impedimento legal nem motivo para suspeição, argumentando que a primeira instância aumentaria o risco de vazamentos seletivos.

As controvérsias se acumulam:

– Sigilo extremo e centralização: Toffoli impôs lacre total a provas apreendidas, determinou a custódia no STF (em vez da PF), escolheu peritos para análises técnicas e reduziu o cronograma de depoimentos pretendido pela polícia. Recentemente, marcou oitivas concentradas em 26 e 27 de janeiro, rejeitando proposta da PF por seis datas distribuídas.

– Viagem polêmica: Em novembro de 2025, o ministro viajou de jatinho privado para a final da Libertadores no Peru, compartilhando o voo com o advogado Augusto Arruda Botelho, que defende um diretor do Master. Toffoli alega amizade com o proprietário do jato e nega discussões sobre o processo.

– Vínculos familiares indiretos: Reportagens revelaram que fundos ligados ao entorno de Vorcaro — incluindo o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel — investiram em um resort no Paraná (Tayayá) que pertencia a primos e irmãos de Toffoli. Embora o ministro não tenha participação direta, a conexão comercial gerou questionamentos sobre conflito de interesses.

A associação de delegados da PF classificou algumas decisões como “afronta às prerrogativas” da categoria, enquanto juristas e colunistas — de diferentes espectros ideológicos — cobram afastamento do relator para preservar a legitimidade da investigação. Críticas ecoam até em setores que tradicionalmente defendem o STF, sinalizando que o caso Master pode romper barreiras partidárias no debate sobre abusos institucionais.

Toffoli já autorizou quebras de sigilo fiscal e bancário de mais de 100 investigados e mantém a possibilidade de desmembramento futuro: o Supremo ficaria apenas com foros privilegiados, devolvendo o grosso do caso à Justiça Federal. Enquanto isso, a pressão aumenta — interna e externa — para que a Corte evite se transformar no principal alvo de uma narrativa de impunidade bilionária.

O desfecho pode definir não só o futuro do maior escândalo financeiro recente, mas também o quanto o Supremo consegue se blindar de suas próprias controvérsias em um momento de fragilidade institucional.


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