16/01/2026
Pesquisar

Protestos no Irã deixam ao menos 65 mortos e mais de 2,3 mil presos

Protestos no Irã deixam ao menos 65 mortos
Foto reprodução

HRANA registra atos em 512 locais e denuncia bloqueio de comunicações.

Pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas durante a onda de protestos que se espalha pelo Irã, segundo dados atualizados pela HRANA (Human Rights Activists News Agency), entidade de direitos humanos sediada nos Estados Unidos. A tensão no país aumentou nos últimos dias com o crescimento dos atos e as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ameaçou retaliação caso as forças iranianas intensifiquem a violência contra manifestantes.

A HRANA informou na sexta-feira (9) que protestos foram registrados em 512 pontos distribuídos por 180 cidades, uma demonstração de que a mobilização rompeu barreiras regionais e ganhou escala nacional. A entidade contabiliza 50 manifestantes mortos, além de 14 integrantes das forças de segurança e um civil identificado como “ligado ao governo”.

Comunicações bloqueadas e número real desconhecido

A agência afirma que o número de vítimas pode ser maior, já que o governo iraniano mantém bloqueio de internet e restrições de comunicação, dificultando checagem independente das informações. A estratégia não é inédita: em outros levantes, autoridades já recorreram ao corte de conectividade para retardar a organização dos protestos e reduzir a circulação global de imagens de repressão.

Mesmo assim, vídeos e relatos ainda conseguem escapar pelas brechas das redes, mostrando confrontos, incêndios em prédios públicos e manifestações em cidades de médio e grande porte. O cenário alimenta a percepção internacional de que o país atravessa sua crise doméstica mais intensa em anos.

Trump aumenta tom e faz alerta direto a Teerã

A crise ganhou novo capítulo quando Donald Trump afirmou que acompanha “de perto” a situação e enviou um recado explícito ao governo iraniano. Durante reunião com executivos do setor petrolífero na Casa Branca, ele disse:

“É melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos.”

O presidente norte-americano reforçou que não planeja enviar tropas ao Irã, mas deixou claro que os Estados Unidos consideram outras formas de intervenção caso haja escalada da violência.

“Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, nós nos envolveremos. Não significa tropas em solo”, disse. “Mas significa atingi-los com muita, muita força onde dói.”

As declarações foram recebidas com cautela por analistas internacionais, que veem risco de agravamento das tensões militares entre os dois países.

Protestos desafiam regime e criam cenário imprevisível

Trump afirmou ainda que o Irã está enfrentando “grandes apuros” e insinuou que manifestantes estariam no controle de algumas cidades — embora não tenha citado quais. Até o momento, não há confirmação independente de que grupos de protesto tenham assumido de fato o comando de áreas urbanas.

A HRANA e outros observadores relatam que, apesar da repressão, os protestos seguem fortes e se multiplicam em regiões diferentes. As manifestações incluem queima de carros oficiais, ocupação de vias, ataques a prédios públicos e confrontos diretos com forças de segurança.

O crescimento do movimento também é impulsionado pelo descontentamento crescente com políticas econômicas, restrições sociais e denúncias recorrentes de violações de direitos humanos.

Incerteza domina o horizonte político iraniano

Especialistas apontam que o cenário pode evoluir para uma ruptura significativa caso o governo não consiga conter a indignação que se espalha pelas ruas. A combinação de repressão intensa, mortes em escala nacional, falhas econômicas e desafio popular aberto coloca pressão histórica sobre o regime.

O número de presos — mais de 2.300 — reforça o tamanho da resposta estatal e alimenta críticas de organizações internacionais. Enquanto isso, líderes iranianos evitam detalhar a extensão do controle dos protestos e mantêm a narrativa de que grupos “infiltrados” seriam responsáveis por parte da violência.

Com bloqueio de informações, cidade em convulsão e pressão externa crescendo, o Irã entra em uma fase de instabilidade profunda — e sem sinais de arrefecimento à vista.


Descubra mais sobre Manaustime

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

📲 Siga o CANAL DO MANAUSTIME NO WHATSAPP e receba as principais notícias diretamente no seu dispositivo. Clique e não perca nada!

Protestos no Irã deixam ao menos 65 mortos e mais de 2,3 mil presos