Anúncio da captura de Nicolás Maduro divide políticos brasileiros entre críticas à intervenção militar e comemorações pelo fim do chavismo.
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a realização de um ataque militar de grande escala à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro provocou, neste sábado (3), um forte embate entre políticos de esquerda e de direita nas redes sociais.
Parlamentares ligados à esquerda classificaram a ofensiva como agressão militar e violação do Direito Internacional, enquanto lideranças da direita comemoraram o que chamaram de fim da ditadura chavista.
Aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentraram suas críticas na denúncia de intervenção estrangeira e nos possíveis riscos humanitários decorrentes da operação. O deputado Reimont (PT-RJ) afirmou que “bombas não trazem democracia” e defendeu o respeito à soberania nacional. Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que os Estados Unidos retomam uma “sanha imperialista”, comparando a ofensiva a intervenções americanas históricas na América Latina e em outros países, além de cobrar reação da comunidade internacional.
As manifestações ocorreram após relatos de explosões em Caracas durante a madrugada e a declaração de Trump de que Maduro e a esposa teriam sido capturados e retirados do país por via aérea. Até o momento, o governo norte-americano não divulgou o destino do líder venezuelano nem os fundamentos jurídicos da operação, o que ampliou o debate político e jurídico em torno da ofensiva.
No campo oposto, lideranças da direita brasileira celebraram a retirada de Maduro do poder e usaram o episódio para atacar partidos e figuras da esquerda. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que “acabou o tempo de passar pano para ditaduras” e declarou que a América do Sul começa a “acordar de um pesadelo”.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência da República, declarou que o dia 3 de janeiro deve entrar para a história como o da “libertação do povo venezuelano”. Já o deputado Filipe Barros (PL-PR) classificou a ação americana como “necessária” e disse que a direita deve permanecer vigilante para evitar qualquer acolhimento de Maduro em território brasileiro. A deputada Bia Kicis (PL-DF) também comemorou a captura, chamando o presidente venezuelano de “ditador sanguinário”.
Enquanto o embate se intensifica nas redes sociais, o governo brasileiro adota cautela. O Palácio do Planalto e o Itamaraty convocaram uma reunião de emergência para reunir informações sobre a operação antes de um posicionamento oficial. Interlocutores afirmam que a prioridade é avaliar os impactos diplomáticos e jurídicos do ataque, diante do potencial reflexo para a estabilidade política da América do Sul.

foto: Reprodução
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