A médica responderá por homicídio doloso qualificado em liberdade.
A Técnica em Enfermagem Raíza Bentes investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, se pronunciou na manhã desta sexta (28).
O caso veio à tona após os pais denunciarem, na terça-feira (25), que o filho morreu devido à aplicação incorreta de adrenalina por via intravenosa. O atendimento ocorreu entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24). Além da médica, Juliana Brasil Santos, a técnica também é investigada. Ambas prestaram depoimento nesta sexta-feira (28).
Raíza disse a imprensa local o seguinte: “No momento em que fui administrar a medicação, informei a mãe da criança sobre o procedimento. A mãe questionou a aplicação da medicação, pois, segundo ela, eu nunca havia administrado aquele medicamento antes. Eu expliquei que, apesar disso, a medicação estava prescrita pelo médico, e, após conversarmos, entramos em acordo para seguir a prescrição.” disse a técnica.
De acordo com o delegado, testemunhas afirmam que a médica teria demorado a prestar socorro, o que poderia caracterizar indiferença diante da gravidade da situação. A defesa, porém, nega as acusações e afirma que ela agiu prontamente, chegando a solicitar um antídoto — opção descartada por médicos ouvidos no inquérito, que reforçaram não haver medicação capaz de reverter uma overdose de adrenalina. “Durante o atendimento, houve um atraso no atendimento ao paciente Benício, e eu chamei uma colega para auxiliar. A colega informou que iria até a Pediatria, mas não retornou. Quando percebi que a criança apresentava uma reação, comuniquei imediatamente a médica responsável, que orientou os próximos passos.” afirmou Bentes.
Documentos e depoimentos indicam que Benício sofreu ao menos seis paradas cardíacas antes de morrer. “A médica avaliou a criança e explicou que não podemos realizar nenhum procedimento que não esteja previsto na prescrição médica, pois isso poderia configurar uma conduta inadequada.” finalizou Raíza Bentes. A médica e a técnica foram afastadas das funções, e o Conselho Regional de Medicina do Amazonas abriu procedimento para apurar o caso.
Como o caso aconteceu
Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino deu entrada no hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A médica teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, com 3 ml a cada 30 minutos. A família questionou a técnica de enfermagem ao ver a prescrição e relatou que a criança apresentou piora logo após a primeira aplicação.
A equipe levou Benício para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e ele foi transferido para a UTI, onde sofreu várias paradas cardíacas durante procedimentos de emergência, incluindo a intubação. O menino morreu às 2h55 de domingo (24).
A família afirma que busca justiça e espera que outras crianças não passem pela mesma situação. O hospital informou que abriu investigação interna e afastou as profissionais envolvidas. A Polícia Civil segue apurando o caso e mantém detalhes sob sigilo para não prejudicar os trabalhos.
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