O juiz do Trabalho Gabriel Cesar Fernandes Coêlho, da 13ª Vara do Trabalho de Manaus, deu prazo de 24 horas para que o Sindicato dos Rodoviários informe se as empresas já quitaram os 60% restantes dos salários de agosto e se ainda solicita o bloqueio judicial das contas das companhias para garantir o pagamento. A determinação consta em despacho assinado na terça-feira (16).
“Concedo o prazo de 24 horas para que o Sindicato Autor: I) informe se houve ou não o pagamento aos trabalhadores dos valores correspondentes a 60% dos salários de agosto de 2025; II) manifeste-se quanto à desistência ou à ratificação do pedido de tutela de urgência antecipada incidental formulado”, diz o despacho.
Na tarde de quarta-feira (10), os rodoviários suspenderam as atividades em protesto ao atraso no pagamento. A paralisação afetou milhares de pessoas que dependem do ônibus, único modal público da capital amazonense.
No dia seguinte, após reunião com representantes das empresas de ônibus, da prefeitura e do governo na 13ª Vara do trabalho de Manaus, os rodoviários voltaram a trabalhar.
Na reunião, o Governo do Amazonas comunicou que depositaria R$ 19 milhões na conta do Sinetram (Sindicato das Empresas de Ônibus). Esse montante é referente ao pagamento das passagens de estudantes da rede pública. As empresas, que alegam que o sistema é deficitário, prometeram usar o valor repassado para pagar os salários atrasados dos trabalhadores.
No mesmo dia, enquanto ocorria a reunião na 13ª Vara do Trabalho de Manaus, o presidente do TRT11 (Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região), desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, atendeu pedido da prefeitura e determinou a suspensão da paralisação.
Após deixar a reunião, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, pediu aos rodoviários para que voltassem ao trabalho. “O juiz me fez um pedido especial. [Ele disse:] ‘Givancir, bote a turma para trabalhar porque Manaus precisa’. O dinheiro já foi depositado perante o juízo. No mais tardar em uma ou duas horas estará na conta de vocês”, afirmou Givancir.
“Bora voltar a trabalhar. Vamos servir Manaus. A população não merece estar passando [por isso]. Mas quero que o prefeito e o governador voltem aquela parceria para o bem da cidade de Manaus. O povo não merece mais sofrer por questões políticas”, disse Givancir.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários atribuiu os atrasos no pagamento dos trabalhadores a uma “briga entre o governo e a prefeitura”. Desde junho deste ano, estado e município travam uma batalha sobre o pagamento da meia passagem aos estudantes.
O Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus tinham um convênio, firmado em 2023, que permitiu repasses que totalizaram R$ 120 milhões ao município. O acordo viabilizou o passe livre estudantil para cerca de 342 mil alunos da rede pública, mas chegou ao fim em maio deste ano.
O governo manifestou interesse em continuar com o benefício, mas quer comprar as passagens diretamente do Sinetram (sem intermédio da prefeitura) pelo preço unitário de R$ 2,50. A prefeitura, no entanto, quer que o governo pague o valor da passagem integral, que custa R$ 8,20.
O caso foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal), que negou o pedido da prefeitura.
O ATUAL tentou ouvir o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, e o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges, mas nenhum deles respondeu as mensagens.
*Fonte amazonasatual
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