A guerra na Ucrânia começou em fevereiro do ano passado e, desde então, as forças antiaéreas ucranianas têm procurado defender o território e manter os aviões russos afastados. Mas de acordo com a fuga de documentos secretos norte-americanos do Pentágono, o rumo da ofensiva russa pode mudar com as Defesas ucranianas em risco de esgotar mísseis e munições.
Agora os Estados Unidos estão a avaliar os riscos para a segurança do país, na sequência da divulgação destes documentos secretos.Documentos classificados como “secretos”, com conteúdo de Segurança Nacional dos Estados Unidos, da Ucrânia e até de países aliados, foram divulgados na semana passada na comunicação social norte-americana. As informações secretas incluem avaliações e relatórios das agências de informações norte-americanas relacionados com a guerra na Ucrânia.
O perigo, segundo o Pentágono, é que os documentos podem revelar-se valiosos para Moscovo, ao permitirem saber até que ponto os serviços secretos norte-americanos penetraram em partes do aparelho militar russo.
De acordo com um documento datado de fevereiro deste ano, os sistemas de defesa aérea S-300 e Buk da era soviética, que representam 89 por cento dos sistemas de defesa ucraniana, podem esgotar-se entre meados de abril e início de maio. O mesmo documento indica que as defesas aéreas ucranianas que têm protegido as tropas na linha da frente serão “completamente reduzidas” até 23 de maio.
As autoridades norte-americanas revelam estar preocupadas com o facto de os constantes ataques russos e a destruição de armazéns e de transporte de munições para a Ucrânia poderem deixar as tropas de Kiev numa situação de maior fragilidade, permitindo um maior avanço da ofensiva russa. No caso de as forças de defesa da Ucrânia ficarem sem meios para contra-atacar caças russos, Moscovo pode aumentar os ataques e ameaçar também as forças terrestres ucranianas – o que as autoridades norte-americanas consideram que seria um “grande desafio” para Kiev.
O coronel Yuri Ihnat, porta-voz da Força Aérea Ucraniana, não comentou especificamente sobre as informações contidas nos documentos, mas disse ao Wall Street Journal que a Ucrânia enfrenta sérios desafios para conseguir ter as munições para os S-300 e Buk.
“Se perdermos a batalha pelos céus, as consequências para a Ucrânia serão muito graves”, disse ao jornal norte-americano, na sequência da divulgação dos documentos.
“Este não é o momento para procrastinar”, acrescentou, pedindo aos aliados ocidentais que acelerem a ajuda militar.
Informações sobre aliados dos EUA
Os documentos agora divulgados revelam cronogramas e gráficos completos com detalhes sobre a guerra na Ucrânia. A maioria classificada como “ultra-secretos”, onde são referidos dados como as baixas sofridas tanto pelo lado ucraniano como russo e ainda quais as capacidades militares da Ucrânia para uma esperada “ofensiva na primavera” contra a Rússia.
Segundo a BBC, que teve acesso a mais de 20 dos documentos, são relatados detalhes sobre os treinos e o equipamento miitar fornecidos à Ucrânia, com informações específicas sobre as tropas na linha da frente e todos os veículos militares disponíveis e que estão a ser fornecidos pelo Ocidente.
Contudo, lê-se que “os prazos de entrega dos equipamentos podem afetar o treino e a prontidão” para a tal ofensiva ucraniana.
Num outro documento é divulgado que o número de caças russos atualmente implantados no teatro de operações na Ucrânia é de 485, em comparação com os 85 jatos ucranianos.
EUA estão a avaliar riscos da fuga de documentos secretos
Os documentos divulgados na semana passada por meios de comunicação social como o jornal New York Times, incluem avaliações e relatórios das agências de informações norte-americanas relacionados com a guerra na Ucrânia, mas também com os aliados dos EUA.
“A cooperação interagências foi iniciada para avaliar o impacto [que a fuga] destes documentos poderá ter na segurança do país e dos nossos aliados e parceiros”, disse a porta-voz do Pentágono, Sabrina Singh.
O Departamento de Justiça dos EUA, que abriu uma investigação no sábado, está a tentar identificar a fonte da fuga e ainda a examinar a validade dos documentos divulgados.
Contudo, o jornal Washington Post citou responsáveis para avançar que alguns documentos aparentam ter sido falsificados. Mas a maioria deles corresponde a relatórios da CIA (serviços secretos), presentes na Casa Branca, no Pentágono e no Departamento de Estado, disse a mesma fonte.
Entretanto, também a Presidência da Coreia do Sul anunciou que vai manter “conversações pertinentes” com os EUA, uma vez que alguns documentos pormenorizarem “discussões internas sul-coreanas sobre a possível entrega de munição dos EUA à Ucrânia”, o que poderia violar “a política de Seul de fornecer assistência letal”. As autrodiades sul-coreanas admitem que vão “rever precedentes e outros exemplos de países afetados” para, a partir daí, “agir em conformidade”.
O porta-voz indicou que a Coreia do Sul ainda não decidiu se vai fornecer armas à Ucrânia e, por enquanto, mantém a política inicial de fornecer única e exclusivamente ajuda humanitária.
*Com informações rtp
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