25/01/2026
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Piratas dos rios usam drones e armas de guerra em ataques a embarcações no Amazonas

Foto: Divulgação
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Assaltos a embarcações que transportam combustíveis e grãos nos rios do Amazonas têm chamado a atenção das autoridades e do setor de navegação pelo uso cada vez mais sofisticado de tecnologia por grupos criminosos. Segundo o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma), os chamados “piratas dos rios” passaram a empregar recursos como drones, armamento pesado e sistemas de comunicação avançados para planejar e executar os ataques.

De acordo com a entidade, as ações criminosas ocorrem de forma recorrente em diferentes calhas do estado, principalmente nos rios Amazonas, Solimões e Madeira. O presidente do Sindarma, Galdino Alencar, afirma que, mesmo com a redução no número de roubos consumados nos últimos anos, as tentativas de assalto continuam frequentes e cada vez mais complexas. “O que mudou foi a forma de agir. Hoje, esses grupos utilizam tecnologia para monitorar rotas, identificar comboios e escolher o melhor momento para atacar”, destacou.

Entre os recursos utilizados estão drones, empregados para reconhecimento aéreo das embarcações, acompanhamento dos deslocamentos e avaliação da presença de escoltas armadas. O uso desse tipo de equipamento permite que os criminosos atuem à distância, reduzindo riscos e aumentando a precisão das abordagens. Além disso, há registros de comunicação por rádio e outros dispositivos que facilitam a coordenação entre os integrantes das quadrilhas.

O nível de armamento também preocupa. Segundo o sindicato, muitos ataques envolvem armas de grosso calibre, como metralhadoras, o que eleva o risco de confrontos e coloca em perigo tripulantes e comunidades ribeirinhas. No último domingo (18), um ataque a uma embarcação no estado resultou no sequestro temporário do comandante e na morte de um dos assaltantes, evidenciando o grau de violência das ações.

Levantamentos do Sindarma indicam que, entre 2020 e 2023, mais de 7,7 milhões de litros de combustíveis foram roubados em ataques fluviais no Amazonas, gerando prejuízos milionários ao setor. A partir de 2023, as empresas passaram a investir de forma mais intensa em tecnologia de proteção, como monitoramento on-line, rastreamento em tempo real e escoltas armadas privadas, o que contribuiu para a redução do volume de cargas roubadas.

Apesar disso, o sindicato alerta que os criminosos seguem se adaptando. A utilização de drones e equipamentos modernos demonstra, segundo a entidade, um processo de profissionalização da pirataria fluvial, muitas vezes associada a organizações criminosas que também atuam no tráfico de drogas e em outras atividades ilegais.

Especialistas apontam que o enfrentamento desse tipo de crime exige investimentos contínuos em inteligência, tecnologia e integração entre forças de segurança. Para o setor de navegação, a preocupação vai além dos prejuízos financeiros: a sofisticação dos ataques representa ameaça direta à vida dos tripulantes, ao abastecimento das comunidades do interior e à segurança ambiental dos rios amazônicos.


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