Nova Itapemirim divulgou um comunicado alegandou que o caso vinha sendo “indevidamente divulgado” nas redes sociais com “alegações infundadas” que poderiam comprometer sua reputação
A modelo e estudante Raquel Possu, de 25 anos, teve seus dados pessoais divulgados pela empresa de transporte rodoviário Nova Itapemirim após denunciar um assédio sexual ocorrido dentro de um ônibus durante viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro.
Além de expor informações da vítima, a companhia emitiu uma nota de repúdio à denúncia feita por Raquel.
Denúncia de assédio durante a viagem
O caso aconteceu no dia 25 de março, enquanto Raquel voltava do trabalho. Ela relatou que, por estar cansada, adormeceu durante a viagem e, ao despertar, encontrou o passageiro ao seu lado tocando sua perna e com o órgão genital exposto.
Modelo relata assédiø que sofreu dentro de ônibus pic.twitter.com/JKOXa2c4ux
— Rede Onda Digital (@redeondadigital) April 1, 2025
“Por ter acordado cedo para trabalhar, eu acabei cometendo o erro de cair no sono e sofri assédio sexual”, declarou a modelo.
Após perceber a situação, ela tentou acionar o motorista por meio do interfone do ônibus, mas não obteve resposta. Na parada seguinte, desceu para relatar o ocorrido. Segundo Raquel, o condutor lhe ofereceu duas opções: mudar de assento para o piso inferior do veículo ou formalizar uma denúncia. Ela optou por ambas.
Na mesma parada, a Polícia Rodoviária Federal foi acionada e pediu à vítima que identificasse o suspeito. Raquel conta que os agentes a instruíram a agir discretamente para não alertar o agressor.
Pouco depois, o motorista informou à passageira que os policiais foram deslocados para outra ocorrência e não retornariam. Raquel solicitou imagens das câmeras de segurança do ônibus, mas afirma que o condutor apenas sorriu e comentou que o suspeito “tinha cara de pervertido mesmo”.
Preocupada com sua segurança, a vítima entrou em contato com um amigo enquanto ainda estava no ônibus. Ele foi até o terminal rodoviário acompanhado da polícia, conseguindo impedir que o suspeito deixasse o local. Todos foram encaminhados à delegacia, onde permaneceram até as três da manhã. No entanto, segundo Raquel, o desfecho foi apenas um boletim de ocorrência, sem providências imediatas.
Empresa expõe dados da vítima e nega acusações
Após a denúncia pública, a Nova Itapemirim divulgou um comunicado no qual expôs informações pessoais de Raquel, enquanto manteve ocultos os dados do acusado. Além disso, a empresa alegou que o caso vinha sendo “indevidamente divulgado” nas redes sociais com “alegações infundadas” que poderiam comprometer sua reputação.

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que o caso foi registrado na 4ª DP de Presidente Vargas e que as investigações seguem em andamento. O advogado da vítima, Pedro Henrique Toledo, afirmou que a empresa não forneceu as imagens das câmeras de segurança e não apresentou qualquer relatório oficial sobre a suposta investigação interna.
“Nós já encaminhamos notificação extrajudicial, mas eles não respondem. A empresa alega ter feito um procedimento interno, mas não nos deu acesso a nenhuma informação”, disse o advogado, que relatou ainda que a vítima não se sente mais segura em continuar em sua residência, uma vez que seu endereço também foi divulgado pela empresa.

Em prints divulgados por Raquel, ela conta que a Nova Itapemirim também marcou a faculdade onde a jovem estuda “Esse foi o stories postado pela @novaitapemirim.oficial na sexta-feira, onde marcaram inclusive minha instituição de ensino, qual o intuito?”, indagou a vítima.
Em nota, a Nova Itapemirim afirmou que o caso foi investigado internamento e que não foi encontrada nenhuma ocorrência anormal em seis horas de gravação, e que as mesmas imagens já foram enviadas a polícia. A nota, no entanto, não faz nenhuma menção a exposição dos dados pessoais de Raquel Possu.
Leia a nota na íntegra
“Informando que houve uma investigação interna assim que souberam do caso envolvendo a jovem. “Após análise minuciosa de 6 horas de gravação, não foi identificada nenhuma ocorrência anormal durante a viagem. Ressaltamos que não houve solicitação oficial da parte envolvida para acesso às imagens — que, inclusive, já foram anexadas ao processo e registradas na 004ª DP do Rio de Janeiro.
Nosso motorista, Sr. Márcio Freire, agiu com profissionalismo, realocando a passageira ao piso inferior do ônibus, assegurando sua integridade e o andamento da viagem
Seguimos comprometidos com a ética, a segurança e o respeito, e não compactuamos com informações distorcidas que possam comprometer a imagem da empresa ou de nossos colaboradores.”
(*)Com informações do G1
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